Como todos devem saber, sou jornalista esportivo e trabalho por conta própria, fazendo assessoria e realização de projetos desde 2007 no Rio de Janeiro, mas em 2006 eu trabalhei em Curitiba e lá, acompanhei o comecinho de carreira de um menino que então tinha pouco mais de 15 anos e que me impressionou, não pela grande habilidade, mas pela facilidade em finalizar a gol. De dentro da área, mas principalmente de meia distância tinha uma precisão impressionante.Meu filho treinava no infantil do Coritiba Foot Ball Club e sempre que eu ía levá-lo ao treino, observava um pouquinho e me encantava ver esse menino jogando.
Lembro de ter comentado com um outro pai: "Esse menino vai longe!"
Mas não esperava que fosse tão rápido.
No final daquele ano me mudei para o Rio e não soube mais do garoto, até vê-lo pela televisão em 2009 atuando na Inglaterra, defendendo o Newcastle, numa das decisões daquela temporada, contra a Inter de Milão. Só então descobri que éramos xarás.
Resolvi, por curiosidade gravar os jogos seguintes e percebi que, mesmo com pouco tempo, ele já estava muito amadurecido pra carreira e quase por brincadeira, decidi criar este blog.
Pesquisei um pouco e descobri que além de Coritiba, ele teve uma passagem marcante pelo Internacional de Porto Alegre, uma passagem rápida pelo Flamengo e quando veio para a Inglaterra, antes de se apresentar em definitivo ao Newcastle, treinou como observado pelo Babilayna CF, clube da 4ª divisão estudantil inglesa. Também descobri que ele tinha sido convocado para alguns amistosos da Seleção Sub-17 que iria disputar o Mundial da categoria de 2005 e também esteve em amistosos para a Copa Sub-20 de 2007, mas não entrou nas listas finais para jogar as competições que foram vencidas respectivamente por México e Argentina.
Em 2008-09 ele começou a entrar nos jogos do Newcastle no meio do primeiro turno da temporada e marcou discretos 19 gols e 8 assistências em 44 jogos, mas na temporada seguinte explodiu. Foram 46 gols e 13 assistências em 53 jogos. Artilheiro de todas as competições, o que acabou culminando na sua convocação para a Copa da África, substituindo Gilberto Melo, que se machucou durante a fase de preparação.
Não jogou nenhum jogo amistoso, eliminatórias, outras competições pela Seleção, até a estréia na Copa. Nem dos amistosos contra Zimbábue e Tanzânia que finalizaram o período de amistosos.
Isto posto, o resto, todos já sabem. Teve uma carreira meteórica e uma participação marcante no Mundial e com apenas 19 anos se tornou campeão, artilheiro e revelação da Copa, além de ter marcado em todos os jogos, principalmente na final, quando fez o gol da virada e o gol do título.
Uma coisa que nunca revelei: pouco antes do Mundial, ele me ligou. Nem havia sido convocado ainda, mas tinha acabado de saber do blog e fiquei com receio que fosse reclamar da exposição da imagem. Mas ao contrário, disse que gostou muito, pois não tinha nenhum documento formal da carreira. Disse não curtir muito a exposição pública, mas a paixão pelo futebol era maior e incentivou que o blog continuasse, afinal era como uma manifestação de fã e disso ele não poderia se opor e nem tem como controlar. Apenas agradeceu pelo empenho.
Duas semanas após a épica final da Copa, viajei para Newcastle para conversar com nosso jovem herói, já que ele foi um dos jogadores que não voltaram para o Brasil após a conquista e pela rápida amizade que desenvolvemos, me concedeu a honra de ser o primeiro a quem concederia uma exclusiva.
Conversamos numa das recepções do CT do clube inglês, já que ele ainda mora em um dos alojamentos. De cabelos mais curtos e sem o cavanhaque que usou nas temporadas anteriores, descobri um rapaz ao mesmo tempo tímido e sorridente. Que já estudou música e ainda tem planos de ser jornalista. Diferente da maioria dos meninos brasileiros que chegam no esporte bretão, é de classe média, assim como poucos (Leonardo, Raí, Sócrates, Caio Ribeiro e Kaká talvez sejam as mais conhecidas excessões). Filho de um cirurgião dentista e de uma professora primária, primogênito de 3 irmãos, nascido em Ponta Grossa, Paraná, em 19 de fevereiro de 1991. Portanto, com 19 anos e não 18, como foi relatado várias vezes durante a Copa. Enfim, vamos ao que interessa. O bate-papo rendeu o agradável pingue-pongue que segue abaixo:
Marcello Pereira - Bem, podemos começar confirmando a sua idade, ok? 19 mesmo e não 18?
Marcello Borghí - Sim 19. A gente confunde um pouco no começo aqui na Europa, por causa da temporada que começa num ano e termina no outro, alguém fez as contas errado e a data se espalhou, mas podem ficar tranquilos, não sou gato, não! [risos]
MP - Pelo que já ouvi falar, as meninas não acham. O assédio é muito grande?
MB - [risos]. Um pouco, mas não me empolgo não. Tenho os objetivos na cabeça e isso é pra outro momento. Acho bacana o carinho, mas dá pra conviver com isso à distância.
MP - A tendência é o assédio aumentar. Que objetivos são esses?
MB - É, acho que sim. Mas vamos levandinho. Os objetivos são conquistar uma independência financeira, jogar mais uns 10 ou 15 anos. A carreira é curta, ajudar o Brasil em mais algumas oportunidades. Comprar alguns bens. Quem sabe defender algum clube no Brasil antes de encerrar carreira e buscar uma outra profissão pra quando parar de jogar. Ajudar meus pais e meus irmaos no Brasil também está nos planos mais imediatos.
MP - Que profissão seria essa?
MB - Já pensei em ser músico. Também gosto muito de jornalismo. Quem sabe eu vá pra uma dessas áreas.
MP - Futuro colega, talvez.
MB - Quem sabe! [risos]
MP - E seus irmãos, algum atleta?
MB - Não, tenho dois irmaos, um casal. Mais novos... meus xodós! Meus pais vivem com alguma dificuldade hoje, pois a classe média tem tido muitos problemas, desde as mudanças recentes dos últimos governos. Os dois ainda são bem pequenos e estão estudando, mas acho que vão seguir por outro caminho que não o esporte.
MP - E o novo visual?
MB - Quase uma promessa que fiz, numa brincadeira com o Nilmar e o Pato. Se um de nós entrasse na partida final e marcasse um gol, rasparia o cabelo. Consegui negociar e só cortar baixinho, pois careca fico com uma cara de Biscoito Maria! [gargalhadas]. Aí negociei que em vez de ficar completamente careca, cortaria bem baixinho e rasparia a barba, que eu já ía tirar no embalo mesmo, porque me acho muito estranho de cabelo curto e cavanhaque. Aliás, estranhei tudo, desde os 15 anos que uso cabelo grande e barba, mesmo que no começo fosse um projeto de barba! [risos] Mas foi uma aposta que valeu a pena fazer.
MP - Bem, vamos falar da trajetória de trás pra frente? A Copa. Qual foi a sensação?
MB - Cara, eu nem esperava. Foi uma surpresa a convocação. Claro, a gente sonha em um dia jogar na Seleção, mas não esperava ter sido tão cedo.
MP - E o desempenho?
MB - Nem fale. Sou suspeito pra dizer. Melhor deixar pra vocês que são especialistas no assunto. Mas claro, a gente fica com a cabeça nas nuvens da forma como aconteceu, né? [risos].
MP - E o relacionamento com a equipe? Com os outros jogadores? Com a equipe técnica?
MB - Maravilhoso. Cheguei e fui muito bem recebido. A gente tem uma certa apreensão no começo, mas todos tentaram me deixar muito à vontade. Parecia que já tinha um relacionamento de décadas com todos.
MP - Dunga não é mais o técnico da Seleção. Mano Menezes já foi apresentado e não te chamou pro primeiro amistoso contra os Estados Unidos. Acha que tem boas chances com ele?
MB - Não nos conhecemos e acho que chance a gente sempre tem. É continuar trabalhando e buscando escrever minha história. A maior parte dos jogadores que estiveram na Copa não foi chamada também. Mas tenho certeza de que muitos estarão de volta à Seleção nos próximos compromissos.
MP - Você esperava entrar em todos os jogos da Copa? Marcar gols em todas as partidas?
MB - Claro que a gente sonha, tem expectativas, mas eu nem imaginava ser convocado tão cedo. Direto numa Copa então. Queria jogar, não esperava que entraria em todos, se tivesse participado de um jogo só já seria o máximo. Mas as coisas foram acontecendo e me agarrei na oportunidade.
MP - Algum gol em especial?
MB - Todos [gargalhadas]. Falando sério. Todos foram importantíssimos, mas o primeiro tem um lugar especial no coração. Foi o único que marquei no meu estilo, ajeitando e batendo de fora. Não sou muito de conduzir a bola. Tem os dois da final que também estão num cantinho exclusivo.
MP - Falando do gol do título. O que passa pela cabeça quando se está livre e a bola vem sobrando daquele jeito, no último minuto?
MB - Passa tudo e nada ao mesmo tempo. A vida toda numa fração de segundo. Fechei o olho e enchi o pé. Já estava esgotado. Nem vi a bola entrar. Quando abri o olho ela já tava lá dentro. Todo mundo certo que iríamos pros pênaltis. Frustrar a Seleção Argentina que já se achava campeã antes do jogo também foi bom demais.
MP - Ganhar deles é bom demais, né? Dava pra sentir em campo que eles já estavam certos do título? E o esgotamento, tinha a ver com as dores nas costas?
MB - Ganhar deles é uma festa [risos grandes]. A gente está concentrado no andamento do jogo. Não percebe muitas coisas além da bola, mas dava pra sentir que eles achavam que o jogo estava ganho, principalmente depois do 2x0. Quanto às dores, um pouco. Saí de campo na semifinal por causa delas, mas tava me sentindo bem na final. Só que do começo do segundo tempo da prorrogação até o final, o corpo sentiu o cansaço do ritmo de jogos. Quatro prorrogações, treinei pouco nos dias seguintes da partida contra a Inglaterra e bem no finalzinho do jogo final as dores voltaram, mas era uma final, não tinha mais como substituir ninguém, então a gente se supera e vai no coração mesmo. Acho que valeu a pena.
MP - Você participou do gol de empate, fez o gol da virada, conseguiu o escanteio que originou o quarto gol e marcou o quinto. Não sobe a cabeça?
MB - Dá uma alegria e uma satisfação muito grande, mas subir a cabeça não. Ela está bem no lugar! [risos].
MP - Antes da Copa, as duas temporadas no Newcastle. Brilhantes, concorda?
MB - É foi bacana. 65 gols em duas temporadas se não me engano. Se é brilhante ou não, não sei dizer. Mas foi gostoso.
MP - Essa humildade toda nasceu com você?
MB - Tenho de perguntar pra minha mãe [risos]. Na verdade, como você já sabe, gosto de futebol, gosto de jogar, de fazer gols, mas não gosto muito de exposição. Nem campanhas publicitárias pretendo fazer. Pelo menos enquanto eu conseguir evitar, vou fugir desse tipo de trabalho.
MP - E por que o retorno direto pra Inglaterra após a Copa?
MB - Bem, foi uma imposição do Clube quando me liberou pra servir a Seleção. Tenho também um contrato que me impede de viajar sozinho para o Brasil antes de 3 anos de clube. Principalmente depois dos resultados. Eles queriam renovar logo o contrato, antes que o assédio de outros clubes fosse muito explícito. Evitar alguma aproximação longe das vistas deles e acho que eles tem esse direito. A gente até fica um pouco frustrado de não poder ter compartilhado a festa com os brasileiros, mas não vai faltar oportunidade. Então tive de estar presente na renovação do contrato.
MP - E foi rentável?
MB - [Gargalhadas]. Não posso revelar cifras, mas em comparação com as duas temporadas anteriores foi bem satisfatório, não dá pra se queixar.
MP - Vai dar pra sair do alojamento?
MB - Gosto daqui, mas vou conseguir sair ainda nessa temporada. Uma das cláusulas do contrato prevê a locação de um apartamento aqui perto.
MP - E o ambiente no Clube?
MB - Ótimo. Tem gente consagrada aqui. O Owen só pra dizer um, mas que como todos aqui, é um ótimo companheiro de trabalho.
MP - Amigos?
MB - O Caçapa é meu grande amigo aqui. Os outros, por enquanto apenas bons companheiros de trabalho, mas todos nos damos super bem.
MP - O Cláudio Caçapa que te trouxe pra cá, confere?
MB - Sim, ele tinha ouvido falar de mim no Brasil. Depois de uma excursão que fiz na Europa com o Inter [de Porto Alegre] o Lyon ficou interessado. Estávamos negociando, quando ele se transferiu do Lyon para o Newcastle e falou de mim. Eles me sondaram e conseguiram me contratar antes dos franceses.
MP - Você também é sempre assim, transparente? Coisa rara.
MB - Gosto das coisas às claras. Também gosto de discreção na hora das negociações, quando não está nada certo ainda, mas gosto que tudo fique sempre muito bem esclarecido.
MP - Mas do Inter você não veio direto pra cá.
MB - Deixa eu ver se consigo resumir. Eu me profissionalizei aqui, em 2008. Comecei no infantil do Coritiba, em 2003, com 12 anos. Antes eu tinha feito Escolinha do Coxa, desde os 7 ou 8 anos. Joguei lá direto até 2006. Só no infantil e no juvenil. No final de 2006, o profissional do Inter estava se preparando pra fazer uma excursão à Europa, onde ía participar de uns 4 torneios e jogos amistosos no ano seguinte. Resolveram reforçar o time com novos talentos e conseguiram que o Coxa cedesse minha participação, pois o Nilmar e o [Alexandre] Pato tinham acabado de se transferir pra Europa [Nilmar, Alexandre Pato e Marcello Borghí são paranaenses, respectivamente de Bandeirantes, Pato Branco e Ponta Grossa, os três com passagem pelo Internacional em épocas diferentes, estiveram juntos na campanha da Copa de 2010, no grupo ainda estava um outro paranaense, o meia Alex]. Jogamos uns 20 jogos em pouco mais de um mês. Foi uma verdadeira maratona, mas fiz vários gols nessa excursão, uns 40 e poucos. Aí o Lyon começou a me sondar. Na volta, fui emprestado para o Flamengo onde fiz apenas um jogo e marquei um gol [num amistoso contra o Panathinaikos, durante a pré-temporada para o Campeonato Carioca], retornei ao Coritiba onde fiz apenas um jogo pelo [Campeonato] Paranaense contra o Atlético [Paranaense]. Ganhamos de 4x0 em plena Arena da Baixada [Hoje Kyocera Arena]. Fiz 3 gols nesse jogo, logo no arquirrival. Logo depois da partida, fui chamado pela diretoria e recebi a notícia de que teria de vir pra Inglaterra, fazer um jogo treino, às custas do Newcastle, para avaliação e possível contratação. Eu pensava em me profissionalizar no Coritiba, fazer um início de carreira lá, mas as circunstâncias me levaram pra outro caminho. Antes de viajar, fui convocado para a Seleção Sub-17. Joguei 4 amistosos, fiz 5 gols, mas por causa do compromisso com o Newcastle, não pude jogar o Mundial da categoria. Tive de me apresentar aqui e o jogo treino foi no Babilayna, joguei os 90 minutos e fiz 4 gols [contra o Salsabie, outro time local que joga a divisão estudantil]. No dia seguinte, compareci no Clube com meu pai e meu empresáio e assinamos o contrato pra dali a duas temporadas, porque eu ainda tinha 16 anos, mas precisei permanecer à disposição do Clube. Passei quase que uma temporada inteira só treinando. Iria estrear só em 2009, mas num acordo entre o Clube, meus pais e o empresário, resolveram me emancipar e pude estrear ainda na temporada 2008-09. Antes de estrear, ainda joguei 3 amistosos pela Seleção Sub-20, mas acabei não indo de novo pra uma Copa da categoria, apesar de ter feito 6 gols nesses amistosos, 4 deles contra a Argentina. em 2009, do meio da temporada pra frente, me firmei no Newcastle e daí pra frente todos sabem [risos longos].
MP - Ufa! Isso tudo antes de se profissionalizar?
MB - Sim, foi uma verdadeira correria [risos].
MP - Eu lembro de ter te visto jogando na escolinha do Coritiba em 2006. Naquela época eu já pensava que você iria longe, mas isso supera muitas expectativas. Muitos jogadores talentosos acabam parando na casca. A que você deve isso tudo?
MB - Tem muitas coisas envolvidas. A gente vai caminhando e sem ter muita certeza da trajetória. Fui deixando acontecer. Mas a paixão por jogar acho que é a essência de tudo.
MP - Então escaparam duas chances palpáveis de jogar Mundiais em duas categorias de base e acabou caindo no colo a improvável concretização na Seleção principal. Improvável pelo momento, deixando claro, e não pelo talento.
MB - Vai entender, né? Parece coisa de destino.
MP - Acredita em destino?
MB - Um pouco. Acho que temos uma missão e muitas coisas já estão pré-determinadas. A gente só tem de dar uma ajudinha. Dá pra reescrever alguns capítulos, sem perder a essência, porém, sou muito tranquilo com relação às coisas que vão acontecendo. Deixo fluir naturalmente e com muita paciência, que talvez seja a minha principal virtude.
MP - Me bateu uma idéia aqui e agora. Você citou gols em vários desses times. Flamengo, Inter, Seleções Sub-17 e Sub-20, Coritiba e Babilayna, alem do Newcastle.
MB - É, tirando a Seleção, só citei participações nos times adultos, mas eu anda era juvenil e só recebia ajuda de custo mesmo e alguma participação de patrocínio. Dos campeonatos juvenis e infantis nem tenho nada contabilizado.
MP - No Blog, o gol mais antigo que temos seu, é o 18º da temporada 2008-09, contra a Inter de Milão. Você não tem imagens dos outros 17 gols e desses nos demais clubes e pelas Seleções Sub-17 e 20 pra gente colocar no blog?
MB - Puxa, eu não tenho. Meu pai também nunca teve a iniciativa de gravar. Nem eu. Se tiver, só em algumas emissoras de TV, talvez. Pelo menos da Seleção e os 19 pelo Newcastle na temporada passada... o gol pelo Coxa também, com certeza alguma emissora de Curitiba deve ter, não deve ser difícil de achar. Mas no Inter, no Bailayna e até o do Flamengo, só se alguma emissora local gravou e eu não sei ou se alguém tiver, sei lá, um vídeo amador. Hoje em dia tem tantos celulares por aí que mais gravam do que servem pra telefonar, né?
MP - Os das Seleção de base deve ser mais fácil, não?
MB - Provável. Minhas imagens que aparecem no Clipe da Copa foram tiradas desses amistosos.
MP - Entendi. A idéia, se você concordar, é lançarmos uma campanha atrás desses vídeos pra gente postar no Blog. Só não sei como a gente faria pra adquirir.
MB - Vou te ajudar. A gente pode sondar as emissoras. Eu sondo as da Europa, você sonda as do Brasil.
MP - A gente também pode divulgar pelo blog e outras redes sociais pra ver se achamos vídeos amadores também.
MB - Acho que a maior parte a gente consegue de graça. Outras eu posso tentar bancar e pro pessoal de vídeos amadores a gente pode oferecer uma camisa autografada ou outro brinde qualquer.
MP - Então a gente vê o que pode oferecer e vamos garimpar. Mas desde já fica lançada a campanha. "Buscando Imagens de Marcello", ou outro nome melhor. Vou pensar num.
MB - Combinado!
MP - Prosseguindo. Como eu ía dizendo, me impressionei com seu poder de finalização. Sabe que hoje você é considerado um dos melhores finalizadores do futebol mundial? Qual seu ídolo?
MB - Há grandes finalizadores por aí. Em atividade eu acho que o David Villa é o mais completo. Tem também o Rooney. Mas ídolo mesmo. Mal vi jogar, mas admiro muito o Zico. Agora das gerações que acompanhei com mais consciência, acho que Romário e Ronaldo foram os mais completos que eu vi, me espelho um pouco neles pela presença de área .
Já pelas minhas características quase de ponta, que finaliza de longe e gosta de buscar a linha de fundo pra cruzar, diria que me inspiro bastante em alguns alas como Roberto Carlos ou meias que finalizam bem de fora da área, como o Kaká, o Diego e o Alex.
MP - Os três estavam com você na seleção. Disse isso pra eles?
MB - Sinceramente não me lembro. Se não disse, deveria ter dito [risos]. Mas se eles lerem o blog já vai estar dito de qualquer maneira, né? O Alex eu conheci em Curitiba, faz tempo. Pedi autógrafo e tudo, ele nem deve lembrar. Ele era de lá e de vez em quando ele aparecia no Clube. Quando ele esteve por lá, visitando, eu devia estar no juvenil e acho que ele já jogava na Turquia.
MP - Ter vindo de classe média, não funcionou como preconceito às avessas?
MB - Não. Na época em que comecei, a classe média não tinha mais tantos privilégios, né? A gente ralou muito pra compensar a perda e insistir nos sonhos. Muitos planos econômicos, recessão, inflação. Meus pais deram muito duro e fizeram muitos sacrifícios pra eu chegar até aqui. Espero retribuir em breve. Já entre os colegas, como sempre fui muito paciente e tranquilo, não tive grandes problemas.
MP - Planos futuros? Música e Jornalismo?
MB - Nem faço idéia. Não costumo fazer planos muito à longo prazo. Às vezes a gente sonha, idealiza, mas prefiro calçar os planos mais próximos. Claro que como todo bom aquariano, às vezes viajo na maionese. Mas de objetivo futuro, um futuro bem próximo, é continuar trabalhando, melhorar mais tática e tecnicamente, tentar conquistar a Copa da Liga com o Newcastle, que já bateu na trave duas vezes. Trabalhar pra buscar mais títulos nesta temporada que começa em 20 dias e espero ser lembrado mais vezes para a Seleção. Já a música, virou hobbie. Quem sabe depois que me estabilizar eu pense de novo nela. Tem tantos atletas que acabam virando músicos. Agora, nada contra, mas só não pode ser pagode, nem sertanejo [risos].
Jornalismo pode ser ainda um plano. Meu pai disse que ía me incentivar na carreira, mas exigiu que eu fizesse uma faculdade. Jornalismo eu gosto, então quem sabe eu acabe fazendo um dia, talvez até antes de parar de jogar e busque um trabalho como comentarista. Talvez até Educação Física e tente carreira como treinador. Tudo é uma incógnita, mas diria que são incógnitas bem palpáveis [mais risos].
MP - Sertanejo e pagode são muito comuns no meio, não? Me corrija se eu estiver errado. Algo contra? O que você ouve?
MB - Sem preconceito, mas não me faz a cabeça? Gosto de pop e MPB. Gosto muito de músicas mais antigas, rock dos anos 80 e um pouco de RAP. Samba eu até gosto bastante, mas pagode não. O pessoal no meio curte muito pagode, sertanejo e até funk. Nada contra, mas eu prefiro outra linha.
MP - Pra finalizar, quero só deixar pro público duas lembranças. A campanha pelos gols passados que ainda vou formalizar no blog e lembrar que semana que vem começa o Mundialito de Futebol Master do qual você é um dos incentivadores e que vamos postar no blog enquanto você não retorna à ativa na temporada 2010-11.
MB - Pois é, eu gosto muito de ver os jogadores do passado jem ação. O Raí e o Leonardo, que tem vários projetos com crianças, estão há algum tempo tentando lançar um novo projeto pra quem já encerrou carreira. Quando eu soube, entrei em contato com eles e resolvi participar. Foi bacana você dar o apoio, divulgar e colocar no blog. Outros jogadores jovens da atualidade também incentivaram com imagens, patrocínio, conseguimos que as marcas fizessem uniformes retrô, com o caimento atual, mas com o design muito parecido com de Seleções do passado. E confirmamos 7 equipes. Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, França, Inglaterra e Holanda. Tentamos Uruguai também, mas eles não conseguiram se estruturar em tempo. Quem sabe em próximas edições, assim como outras equipes também.
MP - Nos anos 80 e 90 houve uma iniciativa assim, mas durou apenas 4 ou 5 torneios.
MB - Vamos fazer o possível pro nosso ter mais longevidade. Vai acontecer de 2 em 2 anos. Sempre nos países que sediarão a próxima Copa. No caso, as próximas duas serão no Brasil e junto com a Copa das Confederações funcionará como termômetro e ensaios para a Copa seguinte. Jogadores com mais de 34 anos podem participar. Desde que não estejam mais em atividade. 3 jogadores com menos de 34 poderão participar por equipe, mas também já tem de ter encerrado carreira. Vai ser uma Mini-Copa-do-Mundo-Master. Quero que dure bastante pra daqui uns 15 anos eu poder jogar também [risos].
MP - Cada seleção tem um padrinho no futebol recente, é isso?
MB - Sim, Eu apadrinho o Brasil, o Di Maria apadrinha a Argentina, o Walcott a Inglaterra, Thomas Müller a Alemanha, o Gourcuff a França, O Giuseppe Rossi a Itália e o Elia a Holanda.
MP - Nomes confirmados?
MB - As seleções ainda estão sendo formadas, não quero adiantar ninguém ainda. Não é como no profissional, tem implicações de agenda, condicionamento físico. Mas vamos ter muitas surpresas e além das caractarizações dos uniformes, vamos ter uma caracterização dos jogadores, pra eles ficarem parecidos com quando jogavam, vai ser muito legal poder ver tantos ídolos e muitos campeões mundiais do passado, jogando novamente. Temos ainda uns 3 dias pra fechar as listas e você vai divulgar as 7 equipes em primeira mão.
MP - Maravilha, boa sorte e parabéns por essa iniciativa.
MB - Eu que agradeço, foi um prazer te conhecer e finalmente conversarmos pessoalmente.
MP - Bem, então começa agora a campanha pelos vídeos antigos dos jogos do Marcello. Quem tiver alguma imagem, pode entrar em contato conosco pelo blog pra podermos avaliar. Nos próximos dias, estaremos reforçando a campanha e na próxima segunda, começa o Mundialito de Futebol Master, com grandes seleções do passado. De presente, você fica com os 9 gols marcados na final da Copa da África do Sul, entre Brasil x Argentina, clicando no link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=IogLudEIyog
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